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Teletrabalho. Dificuldade em desligar aumenta riscos de burnout

Trabalhar em casa aumenta o número de horas dedicado à empresa, e a vida profissional e pessoal tende a esbater-se.

A tensão aumenta e pode conduzir a um esgotamento.

O teletrabalho, regime a que milhares de portugueses se viram de um dia para outro obrigados a adotar por força da pandemia do novo coronavírus, pode estar a levar muitos trabalhadores à exaustão física e emocional.

"A dificuldade em desligar tem-se revelado um dos principais problemas dos colaboradores que estão em teletrabalho e este fator pode ser um grande incentivo para a ocorrência de burnout", admite Vanda Brito, diretora de recursos humanos da Kelly Services.

Na sua opinião, um dos maiores problemas do teletrabalho "passa pela linha ténue que pode existir entre o tempo dedicado ao trabalho e o tempo dedicado à vida pessoal".

Como afirma, "começamos a perceber, nas circunstâncias atuais, que o profissional e o pessoal confundem-se e isto promove uma tensão muito grande no indivíduo que se vê privado dos escapes habituais".

Nos últimos meses, os trabalhadores têm admitido ser "muito fácil que o tempo dedicado ao trabalho passe a ser substancialmente maior do que estivessem no seu posto de trabalho atual".

E ao maior número de horas a trabalhar, soma-se o uso excessivo da tecnologia, que acelera o cansaço e afeta a disciplina, ou seja, aumenta a dificuldade em estabelecer rotinas diárias, manter uma alimentação saudável e dedicar tempo ao exercício físico e ao relaxamento.

Como realça Vanda Brito, "está provado que o excesso de trabalho, níveis de stress elevados, a incerteza e muitos outros fatores podem agravar a possibilidade de burnout".

E quais são os sinais de alerta? Irritabilidade, insónias, fadiga, problemas de memória, dores de cabeça, perda de energia, tristeza, apatia, ansiedade, sensação de injustiça, perda do sentimento de pertença, isolamento, ansiedade são linhas vermelhas que o trabalhador deve ter em conta e, nesses casos, ser analisado por um profissional de saúde.

O papel das empresas

Para Vanda Brito, as organizações são responsáveis pelas condições de trabalho que proporcionam aos seus colaboradores e devem atuar preventivamente, dotando os seus profissionais das competências necessárias para a promoção de um ambiente de trabalho saudável.

Em simultâneo, as empresas devem apostar numa eficiente comunicação interna, promover um sistema de recompensas que vá além do salário e investir num ambiente de trabalho saudável e em práticas de bem-estar organizacional.

"Apoiar um colaborador que se encontre a passar por um período difícil como este, significa dar-lhe a flexibilidade necessária para se recentrar e para que consiga trabalhar os três elementos essenciais: o corpo, a mente e parte emocional", sublinha a responsável.

Afinal, as implicações de trabalhadores com síndrome de burnout passam por um aumento do absentismo e por uma menor produtividade. Para Vanda Brito, estes são "fatores com um custo muito elevado para as organizações e portanto as vantagens da antecipação são em tudo superiores às da correção".