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O que faria com 17 mil milhões?

​Nessun Dorma!

É quase este o valor que compõe, entre subvenções e empréstimos, a bonança da Europa para afastar a tempestade que assombrou a economia portuguesa no último ano e meio. Aos líderes europeus prometemos, entre outras coisas, modernizar as nossas empresas e tornarmo-nos tanto mais ‘verdes’ como sustentáveis.

Cerca de 20% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) estará alocado à transição digital, mas se é certo que empresas 4-0 trazem consigo o reskill e o upskill da nossa massa laboral, e com isso maior competitividade à nossa economia, também é certo que falta uma visão mais criativa para o investimento. Veja-se o exemplo da crise mundial do fornecimento de chips.

A Ásia, responsável pelo fornecimento destes microcomponentes, limita, sozinha, linhas de produção em todo o mundo. Esta seria uma oportunidade tremenda para Portugal deter um nicho de mercado e, com isso, tornar-se mais autónomo e competitivo, como também num parceiro estratégico para a União Europeia (UE).

Passemos à sustentabilidade: é inegável a importância da transição climática, que engloba a mobilidade sustentável, descarbonização da economia, economia circular e eficiência energética. Se é certo que todos beneficiamos com este objetivo, é também certo que a novidade traz consigo a incerteza. É por isso que a maioria das startups falha: por não ter claro os seus objetivos, como atingi-los ou como torná-los rentáveis.

Para responder a premissas ideológicas, uma conclusão pragmática: mais do que investir, é preciso saber no que se investe. Todos os que receberem a ajuda europeia devem, antes disso, dar garantias do seu contributo para levantar a nossa economia do chão. Mais do que ambicionar, é preciso mostrar planos devidamente estruturados e auditados. Mais do que receber fundos, é preciso saber por que precisamos deles.

O passado diz-nos que somos inconsistentes neste tipo de gestão. Vamos provar-lhe que existem exceções à regra?