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De preencher vagas a construir estratégias

​As equipas de Recursos Humanos estão a enfrentar um desafio urgente e sem precedentes: o mundo está em rota de colisão com um défice de competências de cerca de 85 milhões de pessoas, o que faz com que a escassez de profissionais especializados se torne no principal risco para as organizações, já elas fortemente pressionadas para acompanhar a evolução da tecnologia.

Enquanto os líderes empresariais tentam recorrer aos RH para obter respostas, é evidente que preencher requisitos deixou de ser suficiente. As equipas de aquisição de talento preparam-se para assumir um papel muito mais estratégico, um papel que redefinirá a forma como as empresas alinham o trabalho com a estratégia de negócio e alavancam o outsourcing para atrair todas as categorias de talento.

Os objetivos de outsourcing mudaram, abrindo portas para que os RH possam gerar um novo valor para os negócios por meio da colaboração.

Durante 20 anos, as empresas dependeram o custo como a estratégia central da aquisição e gestão do trabalho flexível (cost-out), inicialmente por meio de programas de gestão de fornecedores pelas áreas de Compras que identificavam e reduziam os gastos das empresas, depois, por uma recessão global que criou uma abundância de talento disponível no mercado, sendo notória a aplicação da lei da oferta e da procura.

Mas a bolha do cost-out rebentou, e as empresas enfrentam a maior escassez de talento desde 2006. À medida que a população vai envelhecendo e as competências vão mudando, 45% das organizações têm dificuldades em preencher vagas. A equação da oferta/procura inverteu-se em prol do talento, subvertendo a balança e rompendo com estratégias old fashion que não estavam preparadas para atrair talento numa economia saudável com uma taxa de desemprego em níveis mínimos históricos. Ao mesmo tempo, os Diretores de empresa passam a reconhecer que uma abordagem isolada ao talento é o principal obstáculo à gestão estratégica de Recursos Humanos. A atual guerra pelo talento, altamente tecnológica e em rápida evolução, exige que as áreas de Compras e RH não só trabalhem em uníssono, como também envolvam empresas de outsourcing inovadoras que consigam gerar valor adicional. Estas parcerias externas têm evoluído muito além do outsourcing tradicional. Algumas empresas visionárias oferecem agora modelos colaborativos de prestação de serviços que vão desde a automação e transformação digital até serviços corporativos globais e serviços partilhados, com recurso, por exemplo, a soluções gaming, de chatbots ou análises preditivas avançadas, para transformar todas as etapas do ciclo de vida do talento, tendo-se ainda adaptado nestes dois últimos anos a metodologias de trabalho de conexão de produtividade e bem estar perfeitas, baseadas em soluções work from home com excelentes resultados.

A aquisição de talento tornou-se altamente complexa, por um lado, e profundamente pessoal, por outro.

Sob uma intensa pressão para se adaptarem e diferenciarem constantemente, as empresas veem-se dependentes de uma força de trabalho dinâmica que desafia a comodismo, atravessa múltiplas categorias de trabalho, entra no circuito através de várias fontes e por inúmeros meios e exige cada vez mais trabalhar nos seus próprios termos. Os líderes empresariais estão a subir as suas expectativas de aquisição de talento nesse sentido.

Nove em cada dez gestores de topo acreditam que, para as suas empresas continuarem a prosperar têm de melhorar substancialmente o envolvimento com os candidatos e criar metodologias de trabalho mais inovadoras – dois objetivos que requerem uma profunda compreensão do mercado de talento global e um foco na mentalidade que privilegia o talento individual. É uma tarefa difícil, e os líderes de RH mais perspicazes estão a recorrer a parceiros de outsourcing para ir além dos típicos dados demográficos e recrutar com uma promessa de personalização. Trabalhadores de todas as categorias exigem cada vez mais experiências de trabalho personalizadas, ao mesmo nível das experiências de que usufruem nas suas vidas pessoais enquanto consumidores. Embora alguns objetivos sejam digitais, os parceiros estratégicos de outsourcing sabem que a experiência humana continua a ser fundamental.

Na linha da frente estão empresas cuja abordagem de segmentação de talento que vai além da tradicional análise de dados demográficos para identificar atributos e comportamentos que definam estilos de trabalho preferenciais para os candidatos; como se sentem em relação ao desenvolvimento de competências e novos desafios; se aceitam a mudança com entusiasmo ou preferem o status quo; e qual a perceção deles sobre as marcas empregadoras, por exemplo. Este tipo de segmentação de talento oferece uma visão mais adequada para identificar, alcançar, envolver e reter os profissionais mais compatíveis com determinada estratégia de recursos humanos, além de ajudar os líderes das empresas a fazer os ajustes certos à medida que essa estratégia for mudando.

As equipas de aquisição de talento enfrentam atualmente exigências assustadoramente desafiantes – mas não as enfrentam sozinhas. As empresas de outsourcing estão a ajudar os seus parceiros de RH a desempenhar um papel mais estratégico. Em conjunto, estão a navegar o complexo cruzamento entre trabalho, trabalhadores e tecnologia e a redefinir o valor que podem agregar as empresas em todo o mundo.

Artigo de Líder Magazine, Abril 2021

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