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Soluções flexíveis de recursos humanos em contexto da economia 4.0 e do teletrabalho

Entrevista

​A economia 4.0, encarada como a quarta revolução industrial, veio impor novos desafios empresariais, tecnológicos e sociais. O espaço físico onde trabalhamos deixa de ter importância e a adaptação e flexibilidade passaram a imperar nos ambientes de trabalho. Quisemos saber como esta realidade tem impactado a gestão de recursos humanos e lançamos o desafio a Tânia Santos – Kelly Services, para nos trazer a sua visão.

TOP%PME: Que desafios trouxe a designada economia 4.0 ao ambiente de trabalho e à gestão de recursos humanos?

Tânia Santos: Estamos numa fase de grande transformação. Esta nova forma de pensar e encarar a economia e o trabalho, só é possível pelo uso da internet e do computador que, de uma forma inovadora e (ao mesmo tempo) inquietante, revolucionou a nossa maneira de trabalhar, de pensar e de nos organizarmos. Agilizou processos e metodologias de trabalho, bem como nos trouxe, também, distração social e a possibilidade de falar e comunicar com qualquer pessoa, em qualquer lugar.  

TOP%PME: Considera que a pandemia veio acelerar esta consciencialização por parte das empresas portuguesas?

Tânia Santos: Hoje estamos mais interligados do que nunca. Nada mais será igual ao passado. A pandemia que transversalmente vivemos, trouxe-nos a perceção de que, à revolução tecnológica que temos vindo a presenciar, apenas faltava a consciência e a coragem de que se, desenvolvemos a nossa atividade profissional com base na utilização de um computador – muitas vezes portátil – através de uma rede de ligações online, estaríamos mais do que munidos das ferramentas necessárias para abrir espaço ao teletrabalho. O mote estava feito.

Grande parte do tecido empresarial português sempre fechou os olhos ao teletrabalho e, durante muito tempo, por desconfiança no método, por se considerar que os recursos humanos não produzissem o mesmo ou por outra qualquer razão foi abrindo os olhos muito, muito devagarinho a esta metodologia. Resistentes à mudança foi preciso um empurrão, uma pandemia. Teve, claro, de ser algo em grande, não podemos estar uns ao pé dos outros e agora? A pandemia trouxe, contudo, um aspeto positivo, o melhor que há em nós, a adaptação inata a novos contextos e desafios, obrigou-nos a pensar o modo como trabalhamos e nos organizamos. Tivemos de confiar nos recursos humanos e nas empresas, numa relação de interdependência e entreajuda. Aqui o teletrabalho surgiu como a tábua salvadora, a esperança de, em muitos setores de atividade, manter as empresas a funcionar. E teve sucesso.

TOP%PME: De acordo com a vossa experiência e conhecimento do mercado, acha que o teletrabalho está a crescer em Portugal?

Tânia Santos: Para já, o uso do teletrabalho parece estar a crescer em Portugal e aparenta deixar de ser um bicho de sete cabeças. Tem de ser legislado, naturalmente, para que não haja desvios e abusos laborais, como em qualquer outra circunstância laboral, as regras deverão constar do Código do Trabalho. O teletrabalho vem inclusive a ser agilizado em muitas empresas como uma solução 50% 50%: presença de um número de dias na empresa e um número de dias em teletrabalho em casa. Esta solução flexível de gerir recursos humanos adapta-se a um mundo moderno, que nos exige flexibilidade e mobilidade, na qual o espaço físico onde nos encontramos deixa de ter tanta relevância. Há uma mudança de paradigma neste contexto.

TOP%PME: Já se começa a falar do “Nómada Digital”. Pode falar-nos um pouco desse conceito?

Tânia Santos: Estaremos brevemente a debater o crescimento do conceito de “Nómada Digital” em Portugal, que poderá ser encarado como uma vertente do teletrabalho, aquele que efetivamente permite um maior “afastamento” de colaboradores ao espaço físico empresarial, onde estes poderão desenvolver a sua atividade profissional em qualquer lugar do mundo. Metodologia que tem crescido em países economicamente mais desenvolvidos como nos Estados Unidos.

TOP%PME: Acha que o teletrabalho veio para ficar depois da pandemia?

Tânia Santos: Em Portugal teremos, ainda, de fazer um exercício de avaliação para perceber se no fim da pandemia e a retoma da economia ocorrer, o teletrabalho será assumido pelas empresas portuguesas como uma solução gestão de recursos humanos. Nessa altura saberemos se o teletrabalho deixou de ser efetivamente um bicho de sete cabeças.

Publicação Online da Entrevista